As pequenas e médias empresas (PMEs) passam a ter acesso a uma nova geração de soluções financeiras capazes de transformar a forma como realizam pagamentos internacionais. Baseadas em tokenização de ativos, blockchain e contratos inteligentes, essas tecnologias prometem reduzir custos operacionais, acelerar liquidações internacionais e ampliar o acesso de empresas brasileiras ao comércio exterior. Benefícios que, até recentemente, estavam concentrados em grandes corporações e instituições financeiras.
A evolução da infraestrutura financeira global vem sendo liderada por iniciativas de bancos centrais, organismos multilaterais e fintechs, que desenvolvem modelos de liquidação digital mais eficientes para operações internacionais. O Banco de Compensações Internacionais (BIS) considera a tokenização um dos pilares da próxima geração do sistema financeiro, enquanto projetos como o Agorá demonstram que a digitalização dos ativos pode eliminar parte das ineficiências existentes nas transferências internacionais tradicionais.
Na prática, a tokenização representa ativos financeiros em redes baseadas em blockchain, permitindo que pagamentos sejam liquidados de forma praticamente instantânea, com menos intermediários, maior rastreabilidade e custos reduzidos. Para as PMEs, isso significa maior agilidade para receber de clientes no exterior, pagar fornecedores internacionais, administrar diferentes moedas e melhorar o fluxo de caixa, fatores considerados estratégicos para empresas que buscam crescer em mercados globais.
Além da velocidade, os chamados pagamentos inteligentes introduzem um novo nível de automação às operações financeiras. Por meio de contratos inteligentes (smart contracts), é possível programar a liberação automática de recursos conforme condições previamente estabelecidas, como a entrega de mercadorias, o cumprimento de etapas de um projeto ou a divisão de receitas entre parceiros comerciais. O modelo reduz processos manuais, aumenta a previsibilidade financeira e diminui riscos operacionais.
Dados de mercado reforçam esse movimento. Pesquisa da Mastercard mostra que 92% das PMEs brasileiras consideram os pagamentos digitais essenciais para suas operações, enquanto 91% das empresas que utilizam essas soluções relatam crescimento dos negócios. Outro levantamento, realizado com a FXC Intelligence, aponta que nove em cada dez pequenas e médias empresas da América Latina considerariam mudar de provedor de pagamentos internacionais em busca de maior transparência, previsibilidade e eficiência.
“O grande avanço é que tecnologias que antes estavam disponíveis apenas para grandes instituições financeiras começam a chegar às pequenas e médias empresas por meio de bancos e fintechs. Isso democratiza o acesso a operações internacionais mais eficientes e reduz barreiras que historicamente limitaram a competitividade das PMEs no comércio exterior”, afirma Cleverson Pereira, head Educacional da OnilX.
Segundo Pereira, a principal transformação ocorrerá nos bastidores da infraestrutura financeira. “A empresa continuará utilizando plataformas conhecidas, mas a tecnologia responsável pelo processamento dos pagamentos será muito mais eficiente. A tokenização tende a reduzir custos, acelerar liquidações internacionais e oferecer mais transparência sem exigir mudanças significativas na experiência do usuário”, destaca.
Embora desafios como regulamentação, interoperabilidade entre plataformas e padronização internacional ainda precisem ser superados, há consenso entre organismos como o BIS, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e consultorias globais de que a tokenização fará parte da infraestrutura financeira dos próximos anos. Para as PMEs, essa evolução representa uma oportunidade de acessar soluções antes restritas às grandes empresas, tornando os pagamentos internacionais mais rápidos, inteligentes e alinhados às demandas de um mercado cada vez mais globalizado.





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