Com faturamento recorde de R$ 301,7 bilhões em 2025, setor avança em digitalização, automação e gestão baseada em dados para aumentar eficiência das operações
O mercado brasileiro de franquias entra em uma nova fase de expansão. Depois de alcançar faturamento recorde de R$ 301,7 bilhões em 2025, o setor avança na adoção de tecnologia, automação e análise de dados para tornar as operações mais eficientes, apoiar decisões estratégicas e preparar as redes para crescer de forma sustentável.
Segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o franchising faturou R$ 301,7 bilhões em 2025, crescimento nominal de 10,5% em relação ao ano anterior. O setor encerrou o período com 202.444 operações em funcionamento, 3.297 redes e presença em 3.828 municípios brasileiros, além de aproximadamente 1,76 milhão de empregos diretos.
O desempenho ocorre em um cenário no qual o crescimento das redes passa a depender não apenas da abertura de unidades, mas também da eficiência das operações existentes. Entre os fatores associados à evolução do setor estão transformação digital, automação de processos, gestão baseada em indicadores, padronização operacional e inovação nos modelos de negócio.
Para Elói Ferreira, cofundador e desenvolvedor de produtos da Go Coffee, a tecnologia já alterou a rotina das redes, embora a adoção de novas ferramentas ainda aconteça de forma gradual. Custos de implementação e diferenças na capacidade de investimento das empresas estão entre os fatores que influenciam a velocidade dessa transformação.
“A tecnologia evolui em uma velocidade muito grande, mas a implementação tem custo, e isso acaba determinando o ritmo de adoção. A inteligência artificial, por exemplo, já provocou mudanças importantes nos últimos anos, mas ainda não é uma ferramenta acessível da mesma forma para todo o setor. É uma transformação real, porém gradual”, afirma.
Automação reduz tarefas operacionais e amplia uso de dados
Uma das mudanças mais perceptíveis está na automatização de atividades que antes exigiam horas de trabalho das equipes. Produção de documentos, consolidação de informações e leitura de grandes volumes de dados estão entre os processos que passaram a contar com ferramentas digitais e recursos de inteligência artificial.
“Antes, para fechar um relatório, a equipe podia passar uma tarde inteira levantando e organizando informações. Hoje, com as ferramentas adequadas e dados estruturados, é possível resolver em uma hora algo que antes tomava praticamente o dia todo. Isso libera a equipe para atividades que realmente precisam de análise e olhar humano”, explica Ferreira.
Apesar dos avanços, a inteligência artificial ainda não está presente de maneira uniforme na rotina das unidades. Na Go Coffee, a tecnologia começa a ser utilizada principalmente no suporte aos franqueados e na produção de materiais para atividades do dia a dia, mas ainda exige acompanhamento das equipes.
“A IA ainda não entrega 100% do que precisamos, mesmo quando fornecemos referências e direcionamentos claros. Ela já facilita alguns processos, especialmente no atendimento ao franqueado, mas ainda estamos em uma fase inicial de adoção”, acrescenta.
A digitalização do franchising também passa pela ampliação do uso de inteligência de mercado, sistemas de CRM, aplicativos próprios, integração de canais e análise de dados. A combinação dessas ferramentas permite acompanhar o desempenho das unidades com maior precisão e identificar problemas antes que eles comprometam os resultados da operação.
Gestão baseada em indicadores ganha espaço nas redes
Com operações distribuídas por diferentes regiões, a capacidade de transformar dados em decisões passa a ter peso crescente na administração das franquias. Na Go Coffee, indicadores como faturamento por loja, ticket médio, Custo da Mercadoria Vendida (CMV), recorrência de clientes, NPS, giro de estoque, ruptura de insumos, payback e Retorno sobre Investimento (ROI) ajudam a avaliar a saúde das unidades e orientar decisões estratégicas.
“Trabalhamos sempre em cima de números, sem espaço para achismo. Faturamento e ticket médio mostram o comportamento das vendas; o CMV ajuda a entender se a operação está saudável; recorrência e NPS indicam a relação com o consumidor; e payback e ROI permitem acompanhar o retorno do investimento do franqueado. A decisão estratégica cabe à diretoria, mas o norte vem desses números”, complementa.
O uso de indicadores também ganha importância diante da expansão territorial do setor. As franquias já estão presentes em 3.828 municípios brasileiros, mostrando que o crescimento deixou de se concentrar apenas nas capitais e grandes centros. A chegada a cidades médias e pequenas amplia a necessidade de modelos operacionais padronizados, capazes de manter eficiência e consistência mesmo em redes geograficamente dispersas.
Crescimento passa pela eficiência antes da abertura de novas unidades
A modernização das franquias também altera a discussão sobre expansão. Em vez de associar crescimento exclusivamente à abertura de lojas, redes passam a dedicar maior atenção à eficiência, rentabilidade e capacidade de replicação das operações existentes.
“Não faz sentido abrir uma nova loja sem ter um processo testado, validado e funcionando bem. Uma unidade inserida em um modelo que ainda apresenta problemas de logística, custos ou suporte acaba multiplicando essas dificuldades. Primeiro é preciso consolidar o modelo para depois replicá-lo”, avalia o empresário.
A tecnologia também pode contribuir para a rentabilidade ao reduzir custos e falhas em diferentes etapas da operação. Gestão de insumos, prevenção de erros operacionais, suporte aos franqueados e treinamento das equipes estão entre as áreas que podem ganhar eficiência à medida que ferramentas de automação se tornam mais acessíveis.
A expectativa é que esse movimento se intensifique nos próximos anos. Com o avanço da automação e a redução dos custos de implementação, processos hoje parcialmente digitalizados tendem a ganhar maior integração. Para as redes, o desafio será transformar tecnologia em eficiência operacional sem perder de vista a sustentabilidade financeira dos franqueados.
“A inovação ajuda a reduzir custos em várias frentes, desde o recebimento de insumos até o suporte e o treinamento das equipes. À medida que a automação avançar e ficar mais barata e acessível, teremos uma mudança mais profunda nos processos. É a tecnologia dando ferramentas para a operação e ajudando o franqueado a obter melhores resultados na ponta”, conclui o cofundador da Go Coffee.





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