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Blockchain ganha espaço como ferramenta de rastreabilidade e integridade de dados no combate a fraudes

A blockchain vem ampliando suas aplicações para além das criptomoedas e pode atuar como uma camada adicional de segurança no combate a fraudes, ao permitir maior rastreabilidade, integridade e auditabilidade de registros digitais. Conhecida como uma “cadeia de blocos”, a blockchain funciona como uma infraestrutura de registro e compartilhamento de informações estruturadas e verificáveis.  …

A blockchain vem ampliando suas aplicações para além das criptomoedas e pode atuar como uma camada adicional de segurança no combate a fraudes, ao permitir maior rastreabilidade, integridade e auditabilidade de registros digitais. Conhecida como uma “cadeia de blocos”, a blockchain funciona como uma infraestrutura de registro e compartilhamento de informações estruturadas e verificáveis.

 

Os registros são conectados por mecanismos criptográficos, formando um histórico no qual alterações retroativas indevidas podem ser detectadas. Na prática, isso dificulta determinados tipos de manipulação e permite acompanhar a trajetória de transações, documentos, produtos e outros ativos digitais. Para Cleverson Pereira, head educacional da OnilX, a tecnologia ganha relevância em um cenário marcado pela digitalização de processos e pela necessidade de empresas e instituições comprovarem a origem, a sequência e a autenticidade de determinadas informações.

 

O potencial da blockchain no combate a fraudes está principalmente na criação de históricos verificáveis. Em sistemas convencionais, irregularidades podem envolver falsificação de documentos, alteração de registros, duplicação de ativos ou manipulação do histórico de uma operação. Com a tecnologia blockchain, diferentes participantes podem compartilhar evidências sobre a sequência e a integridade dos registros, de acordo com as regras estabelecidas para cada rede.

 

“A blockchain não deve ser apresentada como uma tecnologia capaz de tornar a fraude impossível. Sua contribuição está em tornar determinados tipos de manipulação de registros mais difíceis de executar sem deixar evidências, além de ampliar as possibilidades de rastreamento e auditoria. Isso muda a forma como organizações podem estruturar mecanismos de confiança digital”, afirma.

 

Uma das aplicações possíveis está na rastreabilidade de produtos e cadeias de suprimentos. No setor de medicamentos, por exemplo, eventos relacionados a um produto podem ser registrados desde a origem, passando pelas etapas de distribuição até o destino. Esse histórico pode contribuir para identificar inconsistências, adulterações ou registros incompatíveis ao longo da cadeia. A mesma lógica pode ser aplicada, conforme a arquitetura e os controles adotados, a outros produtos que demandam comprovação de origem e trajetória.

 

Outra aplicação está na verificação da integridade de documentos digitais. Uma organização não precisa necessariamente armazenar o arquivo completo em uma blockchain. É possível registrar seu hash criptográfico, uma espécie de impressão digital matemática gerada a partir do conteúdo do arquivo. Caso o documento seja posteriormente modificado, o novo arquivo produzirá um hash diferente, permitindo detectar que houve alteração.

 

Esse mecanismo pode apoiar processos de certificação documental, auditoria e validação de registros. Entre os benefícios associados ao uso adequado da blockchain estão rastreabilidade, integridade de dados, auditabilidade, transparência, proveniência de ativos e automação de processos. Em redes programáveis, também é possível utilizar smart contracts, ou contratos inteligentes, para executar regras previamente definidas quando determinadas condições são atendidas.

 

“Quando falamos em prevenção e detecção de fraudes, é importante pensar menos na blockchain como sinônimo de criptomoeda e mais como uma infraestrutura capaz de produzir evidências verificáveis sobre registros e operações. Saber quando uma informação foi registrada, acompanhar sua trajetória e verificar se ela foi modificada posteriormente pode ser relevante em diferentes processos de controle”, explica Pereira.

 

Da origem do Bitcoin às aplicações de blockchain em empresas

 

As bases técnicas que deram origem à blockchain antecedem o Bitcoin. Em 1991, os pesquisadores Stuart Haber e W. Scott Stornetta apresentaram um sistema criptográfico destinado à criação de registros de tempo para documentos digitais, de forma que alterações posteriores deixassem evidências.

 

A popularização ocorreu a partir de 2008, com a publicação do white paper do Bitcoin sob o pseudônimo Satoshi Nakamoto. A rede entrou em funcionamento em 2009, combinando recursos como criptografia, redes distribuídas, assinaturas digitais e mecanismos de consenso. Com o avanço da tecnologia, aplicações de blockchain passaram a ser estudadas e desenvolvidas em áreas como serviços financeiros, identidade digital, cadeias de suprimentos, rastreabilidade de produtos, contratos inteligentes e certificação de documentos.

 

Para Cleverson Pereira, compreender tanto as possibilidades quanto os limites da tecnologia é essencial para sua aplicação responsável. “Blockchain pode ser uma peça importante de uma arquitetura antifraude, mas não substitui governança, segurança da informação e qualidade dos dados. O ganho está em utilizar suas características onde rastreabilidade, integridade e auditabilidade realmente resolvem um problema concreto”, conclui o head educacional da OnilX.

 

 

 

 

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