Estudo mostra que desfibrilador e atendimento rápido reduziram pela metade as mortes por parada cardíaca em maratonas

Maratona Internacional do Paraná e Maratona Internacional de Maringá estruturam operação para prevenir riscos à saúde e atender rapidamente atletas durante as provas   O preparo para uma corrida de longa distância não termina no treino. Avaliação médica, condicionamento adequado para a distância escolhida, atenção aos sinais do corpo, hidratação e respeito às condições climáticas…

Maratona Internacional do Paraná e Maratona Internacional de Maringá estruturam operação para prevenir riscos à saúde e atender rapidamente atletas durante as provas

  O preparo para uma corrida de longa distância não termina no treino. Avaliação médica, condicionamento adequado para a distância escolhida, atenção aos sinais do corpo, hidratação e respeito às condições climáticas estão entre os cuidados que ajudam a reduzir riscos durante uma prova. Do outro lado, cabe aos organizadores preparar uma estrutura capaz de identificar rapidamente uma emergência e iniciar o atendimento no menor tempo possível.

O tema ganhou atenção com novos estudos sobre ocorrências cardíacas em corridas de longa distância. No estudo “Cardiac Arrest During Long-Distance Running Races”, publicado no JAMA em 2025, pesquisadores analisaram 443 maratonas e meias-maratonas realizadas nos Estados Unidos entre 2010 e 2023, com 29,3 milhões de atletas que concluíram as provas. A parada cardíaca se mostrou um evento raro, com cerca de um caso a cada 166 mil corredores. A notícia mais importante é outra: na comparação com a década anterior, a mortalidade caiu pela metade, e a proporção de atletas que sobreviveram à parada passou de cerca de 30% para 66%. Segundo os autores, essa melhora se deve ao planejamento de emergência das provas, com início imediato da reanimação cardiopulmonar e acesso rápido ao desfibrilador.

Os dados reforçam a importância de uma cadeia de atendimento preparada para agir diante de situações de emergência. No Brasil, esse cuidado acompanha a expansão da corrida de rua. O país já reúne 14,6 milhões de corredores, contra cerca de 9 milhões em 2022, crescimento superior a 60% em quatro anos.

 

Com milhares de atletas concentrados em um mesmo percurso, o planejamento da segurança envolve uma operação que começa meses antes da largada. É o que ocorre nas provas organizadas pela VOA Esportes, entre elas a Maratona Internacional do Paraná (MIP) e a Maratona Internacional de Maringá (MIM). Nas duas competições, a estrutura médica é dimensionada de acordo com o número de participantes, o percurso e as características de cada prova.

Na prova de 42 km, são oito ambulâncias ao longo do trajeto, além do posto médico na arena, com unidades de suporte avançado e ambulâncias de remoção. Os desfibriladores externos automáticos (DEAs) são posicionados a cada quilômetro, permitindo que um equipamento esteja próximo dos atletas em caso de parada cardiorrespiratória. Nas provas de 21 km, a distribuição pode chegar a um DEA a cada 500 metros, de acordo com a configuração do percurso.

A estratégia também considera a velocidade de deslocamento das equipes. Nas próximas edições, a organização prevê o uso de patinetes para agilizar o acesso aos atletas em determinados pontos. Segundo Marcos Pinheiro, CEO da VOA Esportes, a expectativa é reduzir o tempo máximo de deslocamento das equipes de cerca de três minutos para um minuto a um minuto e meio.

“A comunicação entre as equipes é centralizada pelo Centro de Comando de Operações (CCO), que identifica o ponto da ocorrência e direciona o atendimento. A partir do primeiro contato, o médico da ambulância mantém comunicação com a direção médica para definir a conduta: o atleta pode ser atendido no local ou encaminhado para a estrutura médica da arena. Em situações de maior gravidade, a equipe aciona o encaminhamento hospitalar, com unidades de referência previamente definidas”, explica Marcos Pinheiro.

Outro ponto do planejamento é a localização das ambulâncias. A distribuição leva em conta os pontos do percurso que facilitam a saída para hospitais. A equipe de staff de rua também recebe orientação para reconhecer ocorrências e acionar os coordenadores responsáveis pelo atendimento.

Na arena, a estrutura médica é dimensionada de acordo com o número de participantes e concentra uma parcela importante dos atendimentos, já que o final da prova reúne atletas após o maior período de esforço físico. O espaço conta com leitos para atendimento, áreas destinadas a diferentes níveis de gravidade e equipamentos para situações como hipertermia. Entre os recursos estão banheiras com água e gelo para o resfriamento dos atletas.

“A estrutura precisa estar preparada para diferentes situações, desde um atendimento simples até uma ocorrência grave. A distribuição das ambulâncias, dos DEAs e das equipes é pensada antes da prova para que a resposta seja rápida onde quer que aconteça uma emergência”, afirma Marcos Pinheiro, CEO da VOA Esportes.

Prevenção

A prevenção começa antes da largada. Segundo Marcos Pinheiro, uma das medidas adotadas pela organização é o preenchimento de uma ficha de saúde no momento da inscrição, com informações como alergias, condições clínicas e ocorrências recentes que possam interferir na participação. O registro pode auxiliar a equipe médica caso o atleta não esteja em condições de fornecer essas informações durante um atendimento. Os dados são fornecidos com o consentimento do atleta e consultados exclusivamente pela equipe médica durante o evento.

Para o Dr. Marcelo Leitão, cardiologista e médico do esporte, diretor médico da Maratona Internacional de Maringá e da Maratona Internacional do Paraná, o corredor também precisa assumir um papel ativo na prevenção. “É importante estar em dia com as condições de saúde e fazer avaliações médicas regulares, especialmente homens acima dos 40 anos e quem tem fatores de risco cardiovascular. Quem teve febre ou infecção viral nos dias anteriores não deve correr. Durante a prova, é preciso reconhecer sinais de alerta, como cansaço súbito e desproporcional ao esforço, dor ou aperto no peito, falta de ar, palpitações, tontura ou sensação de desmaio. Diante de qualquer um deles, o certo é parar e procurar a equipe médica”, explica.

As condições climáticas também entram no planejamento. De acordo com Marcos Pinheiro, a organização acompanha a previsão durante a semana que antecede cada prova e pode ampliar os pontos de hidratação ou adotar medidas para ajudar no controle da temperatura corporal. Em cenários de chuva ou temperaturas mais baixas, a atenção é direcionada para outros riscos, como quedas em curvas e trechos de retorno.

“Em uma parada cardiorrespiratória, o tempo é determinante. Ter um desfibrilador próximo e uma equipe preparada para utilizá-lo permite iniciar o atendimento rapidamente, e é exatamente isso que explica a queda da mortalidade mostrada nos estudos. O próprio corredor pode ajudar: se vir alguém cair e não responder, chame a equipe e, se souber, inicie as compressões no peito até a chegada do socorro. Cada minuto conta”, afirma o Dr. Marcelo Leitão.

A operação é adaptada conforme a distância e o calendário de cada competição. Na Maratona Internacional de Maringá, por exemplo, as provas de 5 km, 21 km, 42 km e 10 km são distribuídas ao longo de três dias, com estruturas médicas diferentes para cada percurso.

O planejamento conta também com parceiros especializados: a JET disponibiliza patinetes para agilizar o deslocamento das equipes responsáveis pelos DEAs; a TOTH fornece os desfibriladores, distribuídos estrategicamente a cada quilômetro; a Unimed Paraná disponibiliza as ambulâncias; a IEMEX Performance, por meio do diretor médico Dr. Marcelo Leitão, contribui com a condução técnica da operação; e a Apto Health reúne informações de saúde dos atletas para consulta pelas equipes médicas durante o evento.

MIP– A Maratona Internacional do Paraná 2027 será realizada nos dias 26, 27 e 28 de março, com provas de 5 km, 10 km, 21 km, 42 km e Maratoninha. As inscrições estão disponíveis no site da Ticket Sports. Para mais informações, acompanhe o perfil oficial da prova no Instagram: @maratonadoparana.

MIM – A Maratona Internacional de Maringá será realizada entre os dias 20 e 22 de novembro de 2026, durante o feriado da Consciência Negra, com provas distribuídas nos três dias. As inscrições estão disponíveis no site da Ticket Sports. Para mais informações, acesse o perfil oficial da prova no Instagram: @maratonamaringa.

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